quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Pela primeira vez uma mulher é promovida a general na Argentina

María Isabel Pansa, de 54 anos, é assistente da presidente Cristima Kirchner.
Ela iniciou carreira em 82, durante conflito nas Ilhas Malvinas.

Da France Presse
A promoção da coronel María Isabel Pansa, uma das três assistentes da presidente argentina Cristina Kirchner, foi aprovada nesta quarta-feira (7) pelo Senado, fazendo dela a primeira mulher em atividade com patente de general na Argentina.
Kirchner propôs a ascensão de Pansa após assinar um decreto que permite aos integrantes das forças armadas com título universitário "alcançar a patente máxima".
Pansa, de 54 anos, é formada em Ciência da Computação pela universidade privada de Belgrano (UB) e se formou em 2012 em psicologia na Universidade da Marinha Mercante.
Pansa é a primeira mulher em atividade a ser promovida general. Em julho de 2009, Kirchner aprovou a promoção póstuma a general de Juana Azurduy, heroína da independência sul-americana.
Assessora de Kirchner desde seu primeiro mandato em 2007, Pansa entrou para o corpo auxiliar feminino do Exército em 1982, durante o conflito armado entre Argentina e Grã-Bretanha pelas Ilhas Malvinas.

domingo, 30 de agosto de 2015

Rodovia que ligue Brasil, Paraguai, Argentina e Chile é discutida por Reinaldo

A discussão passou pela construção de obras que podem desenvolver as economias dos quatro países

28/08/2015 - 16h44

Notícias/MS

De Campo Grande 

Governador Reinaldo Azambuja e o Embaixador do Chile, Jaime Gazmuri (Foto: Chico Ribeiro)

O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) participou na manhã desta sexta-feira (28) de uma reunião com embaixador do Chile no brasil, Jaime Gazmuri, com o objetivo de discutir a integração comercial entre as regiões que compõe a rota bi oceânica, além do estreitamento comercial das relações comerciais entre os dois países.

Para o embaixador Jaime Gazmuri, o ponto discutido na reunião foi o interesse dos governos em impulsionar o projeto de integração rodoviária entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

A discussão passou pela construção de obras que podem desenvolver as economias dos quatro países, entre elas a construção de uma ponte em Porto Murtinho e Carmelo Peralta, além da pavimentação de rodovias do Chaco do Paraguai e na Argentina, que levem até os portos da Costa do Pacífico, no Chile.

“O importante agora é construir um grupo de trabalho para que se defina a administração dessa rodovia de forma igual para todos os países envolvidos, facilitando assim a fluidez no transporte de mercadorias, com menos burocracia até os portos do Chile”, disse o embaixador.

Para o ministro do Itamaraty, João Carlos Parkinson de Castro, a reunião que trouxe uma série de iniciativas positivas para estabelecer um corredor de escoamento de produtos entre Mato Grosso do Sul e a Costa do Pacífico, pode trazer para o Estado vantagens econômicas no transporte de produtos de importação e exportação que chegam e partem para o Chile.

“Mato Grosso do Sul teria vários ganhos econômicos, principalmente pelo encurtamento das distâncias, com frete mais barato, custo logístico menor, e também com menor tempo gasto com deslocamento”, afirmou.

A próxima etapa é uma nova reunião, provavelmente na Cuidad del Leste (PY), entre os representantes de todos os países envolvidos nesse projeto, para discutir sobre o marco regulatório comum na estrada que interligará os países.

Participaram da reunião o Secretário de Estado de Infraestrutura, Marcelo Miglioli; o Secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico, Jaime Verruck, o adido comercial César Gatica e o côncul honorário do Chile em Mato Grosso do Sul, Rodrigo Benavides.
Leia Também

sábado, 27 de junho de 2015

Passageiros de voo argentino decolado por modelo querem indenização

RODRIGO CAVALHEIRO, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES - O ESTADO DE S. PAULO
27 Junho 2015 | 14h 10

Pilotos da Aerolíneas e atriz foram indiciados e podem pegar até 8 anos de prisão

O escândalo envolvendo dois pilotos que permitiram a uma modelo iniciar decolagem de um avião na semana passada deve custar mais do que uma mancha na imagem da empresa pública Aerolíneas. Passageiros do voo 2708 se organizam para pedir uma indenização de cerca de 250 mil pesos (R$ 86 mil) por pessoa por dano moral e psicológico.
Pelo menos 11 dos 36 que viajavam de Buenos para Rosario na segunda-feira, 22, recorreram, segundo o jornal Clarín, ao advogado Gregorio Dalbon para iniciar uma ação contra a empresa, que demitiu imediatamente os pilotos após o vídeo ser divulgado na noite de quinta-feira, 25, e tornar-se um viral nas redes sociais argentinas.
Ao admitir que os pilotos colocaram em risco a segurança dos passageiros, o presidente da Aerolíneas, Mariano Recalde, deu argumentos à ação contra a companhia. Na sexta-feira, 26, os pilotos e a modelo Vicky Xipolitakis foram indiciados por “atentar contra a segurança de aeronave”. A denúncia foi apresentada pela própria companhia Austral, operada pela Aerolíneas.
A modelo, atriz e bailarina, conhecida no país pela presença frequente em revistas masculinas, sob apelido de “A Grega”, também foi denunciada. Ela disse em sua conta no Twitter não saber que a cabine era um local proibido. “E quem sabia não me avisou”, argumentou a modelo, que por cinco anos estará proibida de voar na companhia. O caso está nas mãos da Justiça Federal e a pena vai de 2 a 8 anos de prisão.
No vídeo, Victoria agradece a acolhida na cabine e ressalta o fato de ter sido tratada “como uma piloto mais”, recebendo chá das aeromoças. No começo da decolagem, em pé, Victoria acelera o avião e os pilotos concluem a manobra. Rindo, diz ter medo, pergunta se é seguro o que estão fazendo e cogita a possibilidade e de ser presa. Diante da chance de o grupo ser flagrado, um dos pilotos responde "se me afundo, vou com você". "Então você quer me levar com você?", ela responde. "Isso desde que você entrou no avião", conclui o piloto.
Na rede social Twitter, o vídeo de 8 minutos foi o mais visto e comentado da semana, sob a hashtag #elvuelodelescandalo. “Foi um papelão. Uma mulher com alguns atributos físicos os colocou em uma situação de estúpidos”, disse na sexta-feira o chefe do gabinete de ministros, Aníbal Fernandez, que normalmente fala em nome do governo. O caso tem desdobramentos políticos.
O presidente da Aerolíneas, Mariano Recalde, é candidato a prefeito de Buenos Aires pelo kirchnerismo. Ele disse inicialmente “preferir não acreditar” em uma armação para prejudicar sua campanha, que foi interrompida pelo escândalo. Na noite de sexta-feira, mudou o tom, insinuando que o vídeo poderia ter objetivos políticos. Ele tem chances remotas de derrotar o candidato da direita Horacio Larreta, apadrinhado do atual prefeito e candidato à presidência Mauricio Macri. A eleição municipal será no próximo domingo, 5.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Chaco

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Em verde, o território aproximado do Gran Chaco
O Chaco ou Gran 

Chaco (do quéchua chaku, "território de caça") é uma das principais regiões geográficas da América do Sul. Possui aproximadamente  1280000 quilômetros quadrados e abrange partes dos territórios de Bolívia,Argentina, Paraguai e Brasil.
Caracteriza-se por muitos ecossistemas e climas distintos, que variam dos Pampas a florestas e semiárido. As temperaturas oscilam entre -7 graus centígrados no inverno e 47°C no verão. O regime de chuvas também é bem diversificado, indo de 400 milímetros ao ano na região oeste até atingir 1 600 milímetros já próximo a Assunção, no Paraguai.

Localização[editar | editar código-fonte]

O Gran Chaco é uma vasta planície de floresta e selva. Ao norte, se estende para o norte do paralelo 16 graus sul, emSanta Cruz de la Sierra, na Bolívia; a leste, abrange as encostas ocidentais do Pantanal, no Brasil, e as bacias dos riosOtuquis e Parapetí, sendo delimitado pelo rio Paraná; para o sul, atinge o norte da província de Córdoba, na Argentina; a oeste, abrange o oeste do Altiplano Yungas. Assim, o Gran Chaco cobre 1 280 000 quilômetros quadrados distribuídos entre os países da Argentina (40%), Bolívia (35%), Paraguai (20%) e Brasil (5%).

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

É dividido de norte a sul em:
Chaco Boreal, que se estende desde o Rio Pilcomayo, na latitude 16 graus sul, para o norte, abrangendo territórios boliviano e paraguaio.
Chaco Central, que se estende entre o Rio Pilcomayo e o Rio Bermejo (este último, também conhecido como Ypitá, termoguarani que significa "rio vermelho"). Abrange território boliviano e argentino.
Chaco Austral, que se estende desde o rio Bermejo até o entorno da lagoa de Mar Chiquita e confluência do Rio Salgadocom o Rio Paraná, ou aproximadamente paralelo 30 graus sul, entre Argentina, Bolívia, Brasil e Paraguai.

Clima[editar | editar código-fonte]

Embora nas latitudes onde o Gran Chaco se estende a região seja geralmente muito quente, o fato é que, devido aos regimes de ventos continental e sazonal (correntes de vento especialmente da Antártida), há grandes variações de calor entre o dia e a noite e entre as estações do ano. Assim, nas Grandes Salinas localizadas na extremidade sudoeste doGran Chaco, no verão (principalmente em janeiro), as temperaturas ultrapassam 44 graus centígrados, enquanto que, nos arredores de Assunção, não são incomuns, para algumas noites julho (inverno), as temperaturas de quase 0 grau centígrado, e, no Chaco Tarijeño (perto de Villamontes e Yacuiba), ocorre queda de neve. Ou seja, são bastante comuns temperaturas abaixo de 5 graus centígrados, apesar de sua localização muito ao norte do Trópico de Capricórnio. Já na parte sul da região, na Argentina, as temperaturas extremas podem passar dos 48 graus centígrados.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referência[editar | editar código-fonte]

• ENCICLOPÉDIA Delta Universal. Rio de Janeiro: Ed. Delta S.A., 1985

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Papa Francisco ordenará abertura de arquivos secretos

Papa ordenará abertura de arquivos secretos

Por: O Globo

O Papa Francisco está disposto a ordenar a abertura dos arquivos secretos do Vaticano para colaborar com investigações judiciais sobre crimes cometidos pela última ditadura militar argentina (1976-1983), segundo revelou o embaixador argentino no Vaticano, Juan Pablo Cafiero. A informação foi confirmada após o recente encontro entre Francisco e a presidente das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, que foi a Roma junto com seu neto, Ignácio Hurban, uma das últimas descobertas da ONG argentina. Ignácio recuperou sua verdadeira identidade em agosto passado e desde então trabalha ativamente na campanha pela busca de outros netos, filhos de presos políticos desaparecidos.
Após o histórico encontro, Cafiero deu detalhes de uma reforma legal que está sendo promovida pelo ex-cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, que permitirá à Justiça argentina solicitar informações dos arquivos secretos do Vaticano.
— O Vaticano decidiu abrir seus arquivos quando existir um pedido judicial específico... são respostas que o Papa está dando — declarou o ministro da embaixada argentina na Itália, Carlos Cherniak.
O embaixador Cafiero, explicou que a reforma foi adotada por decreto do Papa e implicará modificações nos códigos Penal e Processal do Estado do Vaticano.
— Em vários artigos modificados está prevista uma assistência especial à Justiça em casos humanitários. Portanto, diante de um pedido da Argentina será possível ter acesso aos chamados arquivos secretos (do Vaticano) — ampliou Cafiero.
Na Argentina, as Avós da Praça de Maio conseguiram sinal verde para investigar os arquivos da Igreja local, já que suspeita-se que muitos netos roubados foram entregues a outras famílias através de organizações católicas como o Movimento Familiar Cristão.
— Pedimos ao Papa que desse instruções para que a Igreja argentina colaborasse com nossa busca... já nos enviaram alguns materiais, mas por enquanto não temos nenhuma novidade — declarou Carlotto, que pela primeira vez admitiu ter se enganado sobre o passado de Francisco.
Quando o então cardeal Bergoglio foi nomeado sucessor do Papa Bento XVI, em março de 2013, a presidente das Avós da Praça de Maio o acusou de ter sido parte da “Igreja que escureceu o país”
— É verdade, não sentimos muita alegria com sua eleição... nunca tínhamos ouvido Bergoglio falar sobre os desaparecidos, nem as crianças que devíamos buscar — admitiu Carlotto.
Hoje, disse a presidente das Avós, o grupo entende que eram “informações com má intenção”.
— Na Argentina estamos construindo a História, não somos os donos da verdade, podemos nos enganar — assegurou Carlotto.

Papa Francisco ordenará abertura de arquivos secretos

Papa ordenará abertura de arquivos secretos

Por: O Globo

O Papa Francisco está disposto a ordenar a abertura dos arquivos secretos do Vaticano para colaborar com investigações judiciais sobre crimes cometidos pela última ditadura militar argentina (1976-1983), segundo revelou o embaixador argentino no Vaticano, Juan Pablo Cafiero. A informação foi confirmada após o recente encontro entre Francisco e a presidente das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, que foi a Roma junto com seu neto, Ignácio Hurban, uma das últimas descobertas da ONG argentina. Ignácio recuperou sua verdadeira identidade em agosto passado e desde então trabalha ativamente na campanha pela busca de outros netos, filhos de presos políticos desaparecidos.
Após o histórico encontro, Cafiero deu detalhes de uma reforma legal que está sendo promovida pelo ex-cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, que permitirá à Justiça argentina solicitar informações dos arquivos secretos do Vaticano.
— O Vaticano decidiu abrir seus arquivos quando existir um pedido judicial específico... são respostas que o Papa está dando — declarou o ministro da embaixada argentina na Itália, Carlos Cherniak.
O embaixador Cafiero, explicou que a reforma foi adotada por decreto do Papa e implicará modificações nos códigos Penal e Processal do Estado do Vaticano.
— Em vários artigos modificados está prevista uma assistência especial à Justiça em casos humanitários. Portanto, diante de um pedido da Argentina será possível ter acesso aos chamados arquivos secretos (do Vaticano) — ampliou Cafiero.
Na Argentina, as Avós da Praça de Maio conseguiram sinal verde para investigar os arquivos da Igreja local, já que suspeita-se que muitos netos roubados foram entregues a outras famílias através de organizações católicas como o Movimento Familiar Cristão.
— Pedimos ao Papa que desse instruções para que a Igreja argentina colaborasse com nossa busca... já nos enviaram alguns materiais, mas por enquanto não temos nenhuma novidade — declarou Carlotto, que pela primeira vez admitiu ter se enganado sobre o passado de Francisco.
Quando o então cardeal Bergoglio foi nomeado sucessor do Papa Bento XVI, em março de 2013, a presidente das Avós da Praça de Maio o acusou de ter sido parte da “Igreja que escureceu o país”
— É verdade, não sentimos muita alegria com sua eleição... nunca tínhamos ouvido Bergoglio falar sobre os desaparecidos, nem as crianças que devíamos buscar — admitiu Carlotto.
Hoje, disse a presidente das Avós, o grupo entende que eram “informações com má intenção”.
— Na Argentina estamos construindo a História, não somos os donos da verdade, podemos nos enganar — assegurou Carlotto.

domingo, 3 de agosto de 2014

Calote da Argentina tem origem em políticas dos anos 90, dizem especialistas



  • 03/08/2014 10h45
  • Brasília
Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil* Edição: Nádia Franco
O default (calote) técnico na dívida externa da Argentina reflete a herança de políticas desastrosas do fim dos anos 90. Segundo economistas ouvidos pela Agência Brasil, o impasse no pagamento aos credores pouco tem a ver com a gestão atual da economia do país vizinho.
“A rigor, a situação da Argentina nem pode ser chamada de calote porque o país tem dinheiro para pagar a dívida reestruturada [renegociada], mas uma pequena parte dos credores não quer receber com desconto”, diz o professor de macroeconomia do Ibemec Alexandre Espírito Santo.
Segundo Alexandre, a crise cambial que estourou no início do ano na Argentina, elevando a inflação e reduzindo o consumo, não está relacionada ao calote. “É importante separar as coisas. Os problemas da dívida argentina vêm de um processo que se arrasta há anos. Mas o default técnico pode sim, intensificar a recessão por lá”, explica.
Economista-chefe do banco Sulamérica Investimentos, Newton Rosa concorda que as origens do impasse na dívida argentina não estão na política econômica atual, embora os fundamentos econômicos do país vizinho agravem a situação. “A crise da dívida vem de mais de dez anos, mas o calote piorou o que já estava ruim, num país sem crédito externo e com poucas reservas internacionais”, comenta.
Na década de 90, a Argentina manteve o regime de câmbio fixo, pelo qual um peso equivalia a um dólar com garantia na Constituição do país. Para financiar a moeda sobrevalorizada, a economia argentina tornou-se cada vez mais dependente do capital especulativo. Após a crise da Rússia, em 1998, e do Brasil, em 1999, a Argentina ainda resistiu por dois anos à fuga de divisas. No entanto, em dezembro de 2001, o governo do ex-presidente Fernando de la Rúa, liberou o câmbio.
A desvalorização abrupta do peso tornou impagável a dívida pública (externa e interna) do país, que era em boa parte corrigida pelo dólar. Sem reservas internacionais para honrar os compromissos, a Argentina viu-se obrigada a deixar de pagar os juros e a dívida principal dos papéis que havia emitido. Com a moratória, o país foi excluído do sistema financeiro internacional e ficou sem acesso a crédito externo.
Em 2005 e 2010, a Argentina renegociou a dívida e apresentou diversos planos de reestruturação. Dos credores internacionais, 93% aceitaram a proposta do governo argentino para quitar os débitos de forma parcelada com desconto de 60% a 65% no valor da dívida. No entanto, 7% não aceitaram o plano e decidiram contestar o acordo na Justiça norte-americana, que tem jurisdição sobre os títulos emitidos na Bolsa de Nova York.
Em novembro de 2012, o juiz de primeira instância Thomas Griesa, do Tribunal Federal de Nova York, aceitou a alegação de um grupo que representa 1% do total de credores e obrigou o pagamento do valor integral dos papéis, mais os juros. Esse grupo é formado pelos fundos abutres, que compram títulos podres e depois cobram o valor dos papéis na Justiça.


dólares
Reservas  argentinas  estão  hoje  em  torno  de
US$ 30 bilhõesMarcello Casal Jr./Agência Brasil

Segundo o governo argentino, a decisão abre precedente para que os demais 6% que não aceitaram o acordo de reestruturação também cobrem o valor integral da dívida. Alguns entraram com processo em outros tribunais dos Estados Unidos. Se esses grupos fossem cobrar hoje, a Argentina teria de desembolsar cerca de US$ 15,4 bilhões, mais juros, o que ficaria em torno de US$ 17 bilhões. O montante equivale a mais da metade das reservas internacionais do país, em torno de US$ 30 bilhões.
Em agosto do ano passado, a Corte de Apelações do Segundo Circuito de Nova York manteve a sentença de Griesa e ordenou o país a pagar a totalidade do US$ 1,3 bilhão devido aos fundos abutres. A batalha judicial arrastou-se até junho deste ano, quando a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou os recursos do governo argentino e manteve as sentenças de primeira e segunda instâncias.
Desde então, a Argentina entrou numa corrida contra o tempo para evitar o calote. No fim de junho, o país depositou mais de US$ 1 bilhão em um banco de Nova York para pagar a parcela devida aos 93% de credores que aceitaram a renegociação. O juiz Griesa, no entanto, sustou o pagamento, alegando que o Banco de Nova York ajudaria a Argentina a violar a sentença judicial se permitisse ao país pagar os credores da dívida reestruturada, antes dos fundos abutres, ganhadores do processo.
Em 30 de julho, venceu o prazo para que o governo argentino pagasse uma nova parcela da dívida renegociada. Sem ter como pagar aos credores que aceitaram a reestruturação, o país entrou em default técnico.
* Colaborou Monica Yanakiew, de Buenos Aires