Calote da Argentina tem origem em políticas dos anos 90, dizem especialistas
03/08/2014 10h45
Brasília
Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil*
Edição: Nádia Franco
O default (calote)
técnico na dívida externa da Argentina reflete a herança de políticas
desastrosas do fim dos anos 90. Segundo economistas ouvidos pela Agência Brasil, o impasse no pagamento aos credores pouco tem a ver com a gestão atual da economia do país vizinho. “A
rigor, a situação da Argentina nem pode ser chamada de calote porque o
país tem dinheiro para pagar a dívida reestruturada [renegociada], mas
uma pequena parte dos credores não quer receber com desconto”, diz o
professor de macroeconomia do Ibemec Alexandre Espírito Santo. Segundo
Alexandre, a crise cambial que estourou no início do ano na Argentina,
elevando a inflação e reduzindo o consumo, não está relacionada ao
calote. “É importante separar as coisas. Os problemas da dívida
argentina vêm de um processo que se arrasta há anos. Mas o default técnico pode sim, intensificar a recessão por lá”, explica. Economista-chefe
do banco Sulamérica Investimentos, Newton Rosa concorda que as origens
do impasse na dívida argentina não estão na política econômica atual,
embora os fundamentos econômicos do país vizinho agravem a situação. “A
crise da dívida vem de mais de dez anos, mas o calote piorou o que já
estava ruim, num país sem crédito externo e com poucas reservas
internacionais”, comenta. Na década de 90, a Argentina manteve o
regime de câmbio fixo, pelo qual um peso equivalia a um dólar com
garantia na Constituição do país. Para financiar a moeda
sobrevalorizada, a economia argentina tornou-se cada vez mais dependente
do capital especulativo. Após a crise da Rússia, em 1998, e do Brasil,
em 1999, a Argentina ainda resistiu por dois anos à fuga de divisas. No
entanto, em dezembro de 2001, o governo do ex-presidente Fernando de la
Rúa, liberou o câmbio. A desvalorização abrupta do peso tornou
impagável a dívida pública (externa e interna) do país, que era em boa
parte corrigida pelo dólar. Sem reservas internacionais para honrar os
compromissos, a Argentina viu-se obrigada a deixar de pagar os juros e a
dívida principal dos papéis que havia emitido. Com a moratória, o país
foi excluído do sistema financeiro internacional e ficou sem acesso a
crédito externo. Em 2005 e 2010, a Argentina renegociou a dívida e
apresentou diversos planos de reestruturação. Dos credores
internacionais, 93% aceitaram a proposta do governo argentino para
quitar os débitos de forma parcelada com desconto de 60% a 65% no valor
da dívida. No entanto, 7% não aceitaram o plano e decidiram contestar o
acordo na Justiça norte-americana, que tem jurisdição sobre os títulos
emitidos na Bolsa de Nova York. Em novembro de 2012, o juiz de
primeira instância Thomas Griesa, do Tribunal Federal de Nova York,
aceitou a alegação de um grupo que representa 1% do total de credores e
obrigou o pagamento do valor integral dos papéis, mais os juros. Esse
grupo é formado pelos fundos abutres, que compram títulos podres e
depois cobram o valor dos papéis na Justiça.
Reservas argentinas estão hoje em torno de US$ 30 bilhõesMarcello Casal Jr./Agência Brasil Segundo
o governo argentino, a decisão abre precedente para que os demais 6%
que não aceitaram o acordo de reestruturação também cobrem o valor
integral da dívida. Alguns entraram com processo em outros tribunais dos
Estados Unidos. Se esses grupos fossem cobrar hoje, a Argentina teria
de desembolsar cerca de US$ 15,4 bilhões, mais juros, o que ficaria em
torno de US$ 17 bilhões. O montante equivale a mais da metade das
reservas internacionais do país, em torno de US$ 30 bilhões. Em
agosto do ano passado, a Corte de Apelações do Segundo Circuito de Nova
York manteve a sentença de Griesa e ordenou o país a pagar a totalidade
do US$ 1,3 bilhão devido aos fundos abutres. A batalha judicial
arrastou-se até junho deste ano, quando a Suprema Corte dos Estados
Unidos rejeitou os recursos do governo argentino e manteve as sentenças
de primeira e segunda instâncias. Desde então, a Argentina entrou
numa corrida contra o tempo para evitar o calote. No fim de junho, o
país depositou mais de US$ 1 bilhão em um banco de Nova York para pagar a
parcela devida aos 93% de credores que aceitaram a renegociação. O juiz
Griesa, no entanto, sustou o pagamento, alegando que o Banco de Nova
York ajudaria a Argentina a violar a sentença judicial se permitisse ao
país pagar os credores da dívida reestruturada, antes dos fundos
abutres, ganhadores do processo. Em 30 de julho, venceu o prazo
para que o governo argentino pagasse uma nova parcela da dívida
renegociada. Sem ter como pagar aos credores que aceitaram a
reestruturação, o país entrou em default técnico. * Colaborou Monica Yanakiew, de Buenos Aires
Após fim do prazo para acordo sobre dívida, Argentina entra em calote
Mediador nomeado pelos EUA confirmou calote do país após reunião em NY. País não considera que esteja em calote técnico.
Do G1, em São Paulo
Acabou, no fim desta quarta-feira (30), o prazo para a Argentina
conseguir um acordo com credores que se recusaram a negociar com
desconto os débitos do país. Após a reunião com fundos que não aceitam
renegociar a dívida, a Argentina entra em calote, confirmou o mediador
nomeado pela Justiça dos Estados Unidos. "A República da Argentina não
alcançou nenhuma das condições, e, como resultado, vai estar em default
(calote)", afirmou Daniel A. Pollack, em comunicado divulgado à noite.
O ministro da Economia, Axel Kicillof, que participou da reunião, se
disse surpreendido pelo comunicado. "Sinceramente, desconhecia o
comunicado. Peço desculpas aos trabalhadores que estavam esperando
atentamente o resultado dessas negociações", afirmou, segundo reportagem
do jornal argentino "La Nación". "Me vejo surpreendido ingratamente
pelo comunicado, que parece escrito para favorecer uma das partes."
Ao dizer que a Argentina "não alcançou nenhuma das condições", Pollack
se referiu à negociação sem sucesso com os chamados "fundos abutres".
Esse grupo é formado por uma minoria de credores que não aceitaram a renegociação da dívida do país após o calote de 2001.
Eles entraram na Justiça dos EUA, exigindo receber de forma integral o que a Argentina lhes deve.
Essa briga dura vários anos e, no último dia 26 de junho, o juiz
americano Thomas Griesa bloqueou o pagamento feito pelo governo
argentino da parcela da dívida para os credores que aceitaram a
renegociação.
A Argentina tinha um mês, após o vencimento, no último dia 30, para quitar essa parcela.
O calote é técnico e é diferente do calote de 2001 porque o país tem o dinheiro para pagar, mas está impedido pela Justiça. Argentina não fala em calote
Após a reunião com os fundos, em Nova York, Kicillof repetiu que o país
não considera que esteja em calote técnico. "Se fosse um default, o
dinheiro não estaria depositado", disse, usando um argumento utilizado
pela presidente Cristina Kirchner.
O ministro, que participou da reunião, afirmou que os "abutres" não aceitaram a proposta feita pelo país.
Ele reiterou que não poderia fazer uma oferta diferente da negociada
com os demais credores e que pediu a suspensão da sentença que bloqueia o
pagamento da parcela. Ambas as propostas já haviam sido feitas ao longo
da negociação. "Os fundos querem mais e agora", lamentou Kicillof.
O mediador Pollack considera que o calote não é uma condição técnica,
já que afeta de forma real a vida das pessoas e dos investidores.
"Apesar de argumentos contrários, default não é uma condição meramente
técnica, mas um evento real e doloroso que machuca pessoas reais: isso
inclui os cidadãos argentinos comuns, os credores que renegociaram (que
não vão receber os juros) e os que não renegociaram (que não receberão o
pagamento determinado pela Justiça)", escreveu.
De acordo com a imprensa local e agências de notícias, uma outra
tentativa de negociação com os fundos ainda teria sido conduzida pelos
bancos privados argentinos, na noite desta quarta, mas também teria
terminado mal. Os bancos estariam buscando comprar os títulos da dívida
em poder dos fundos para evitar o calote. "Desabou tudo", disse à
Reuters uma fonte com acesso às negociações. 'Calote seletivo'
Antes do anúncio do resultado da reunião, a agência de risco Standard&Poor´s rebaixou a nota de risco da Argentina e considerou que o país já estava em calote.
O calote só afeta os US$ 539 milhões que não chegaram a ser efetivados
por estarem retidos no Bank of New York Mellon (Bony), por recomendação
do juiz Griesa, que julga o processo de fundos especulativos contra a
Argentina pela dívida em moratória desde 2001.
Por isso é considerado um "calote seletivo" pela Standard & Poor's.
Ou seja, para a agência, o país fica inadimplente apenas em uma parte
de suas obrigações financeiras. A S&P afirma que a nota poderá ser
revisada se o país pagar a parcela da dívida. Próximos passos
O mediador Pollack disse estar disponível para continuar a negociação.
"Não é meu papel ou intenção apontar culpas de qualquer lado.
Continuarei disponível para as partes para ajudá-los a chegar a uma
resolução em que os interesses de todos sejam alcançados."
"Não vamos assinar nenhum compromisso que comprometa o futuro", afirmou
Kicillof nesta quarta. "Se oferecemos mais aos abutres, todo o resto
pode reclamar o mesmo."
A renegociação da dívida argentina tem uma cláusula chamada Rufo
(Rights Upon Future Offers), que trata de direitos sobre ofertas futuras
da renegociação. Ela dá a garantia de poder exigir as mesmas condições
de qualquer outra eventual oferta voluntária futura aos chamados
“holdouts” – aqueles que ficaram de fora da renegociação.
Assim, se a Argentina pagar 100% da dívida a algum credor, outros podem
cobrar o mesmo. Esse item do contrato, no entanto, vence no dia 31 de
dezembro, o que leva a muitos analistas a acreditarem que um acordo ou
iniciativa de negociação não deverão acontecer antes de 2015.
Assim, segundo eles, um novo calote agora dificilmente provocaria
impactos semelhantes ao da moratória de 2001. A avaliação é de que não
se trata de um problema de falta de dinheiro e que a questão tende a ser
resolvida num prazo de até 6 meses, quando expira a cláusula Rufo.
É consenso, entretanto, que a combalida economia argentina seria ainda
mais enfraquecida, uma vez que a fuga de dólares tenderia a crescer, a
moeda a se desvalorizar, a inflação a subir e o Produto Interno Bruto
(PIB) a cair.
Ministro Axel Kicillof faz sinal após sair da reunião com fundos em Nova York. (Foto: Stan Honda / AFP Photo)
Argentina volta à final nos penais e proclama independência de Maradona
Bruno Ceccon, Luiz Ricardo Fini e William Correia São Paulo (SP)
Há 198 anos, a Argentina
proclamou a independência do domínio espanhol. No mesmo 9 de julho, mas
em 2014 e em terras brasileiras, o país se tornou independente de quem,
na verdade, o orgulha. No estádio de Itaquera, a seleção ficou no 0 a 0
com a Holanda no tempo normal e na prorrogação e, nos pênaltis, chega
pela primeira vez a uma final de Copa do Mundo desde a aposentadoria do eterno ídolo Maradona. Em
1990, na Itália, Maradona levou o país à decisão. Nesta quarta-feira, a
Argentina não precisou nem de Messi, já que o agora herdeiro da camisa
10 e da faixa de capitão não acertou quase nada em São Paulo, a não ser
ao converter sua penalidade. O goleiro Romero, porém, foi suficiente,
defendendo as cobranças de Vlaar e Sneijder e garantindo vitória na
disputa por 4 a 2. Durante os 120 minutos anteriores aos
pênaltis, o que se viu foi um duelo tático, cheio de marcação e com
pouco espaço para Messi e Robben mostrarem por que são candidatos a
craque do torneio. No fim do tempo normal, contudo, Mascherano virou
herói ao dar carrinho e bloquear chute de Robben na pequena área. Como
também faltou eficiência nos pênaltis, cabe a Holanda disputar o
terceiro lugar às 17 horas (de Brasília) no sábado, no Mané Garrincha. No
domingo, é a vez de os argentinos tentarem voltar a ser campeões
mundiais a partir das 16 horas, no Maracanã. A divindade atribuída a
Maradona é lembrada até hoje em canções das torcidas e explica a
presença do país na final de 24 anos atrás diante da Alemanha, que
celebrou seu tricampeonato. Agora, diante do mesmo adversário, cabe à
seleção de Messi se vingar da frustração de Maradona na Itália. O jogo – Argentina
e Holanda escolheram estratégias diferentes para anular o astro
adversário. Enquanto Louis Van Gaal ordenou a De Jong que não ficasse
nunca a mais de dois metros de Messi, Alejandro Sabella cumpriu sua
promessa de aproximar laterais e zagueiros para não dar espaço para as
arrancadas de Robben. Os coadjuvantes eram exemplos de obediência a
esquemas táticos. Os sul-americanos tinham em Mascherano o comando da
saída de bola. O volante virou terceiro zagueiro diversas vezes para
soltar Zabaleta e Rojo como alas. Mesmo quando não tinha a bola,
ordenava aos colegas que adiantassem a marcação e, também, valorizassem a
posse, sem se desesperar. O problema era achar espaço na frente.
De Jong, se precisasse, recebia a ajuda de mais ou dois companheiros
para acompanhar Messi, que não conseguia ser mais efetivo no jogo mesmo
com toques de primeira para dar dinâmica à sua seleção, que não tem um
meia de criação. Pelos lados, Kuyt e Blind corriam para alternar o
esquema do 5-3-2 para o 3-5-2. Os laranjas, por sua vez, tinham
Robben bem anulado e Sneijder só tinha a passagem de Wijnaldum como
opção, já que Van Persie se mostrava bem confortável diante da marcação
adversária, não se mexendo para aparecer nas costas da zaga, como fez
com perfeição ao fazer um golaço de peixinho na estreia da Copa, sobre a
Espanha. Nesse duelo tático, os times se mexiam em bloco de uma
intermediária a outra, sem conseguir espaço para finalizar ou levar
perigo. O primeiro perigo só veio aos 12 minutos, quando Mascherano
errou saída de bola e Kuyt ajeitou para Sneijder finalizar perto do gol
de Romero. Do outro lado, Romero foi parado com falta e Messi cobrou
forte, nas mãos de Cillessen, aos 14. A primeira equipe a se mexer
para escapar das marcações foi a Argentina. Sabella inverteu os
posicionamentos de seus dois pontas e Lavezzi começou a dar trabalho
pela direita, sendo acionado diretamente por Mascherano. Forçando por
ali, gerou preocupação e escanteio que Garay desviou com peixinho rente
ao travessão, aos 23. Em meio à tensão, Cillessen despertou risos
holandeses dando drible humilhante em Higuaín dentro da área. Os
argentinos ainda levaram um susto quando Mascherano caiu totalmente
grogue no gramado e precisou de dois minutos para se recuperar
completamente e continuar em campo sem gerar preocupação. Quem
também se ajustou foi a Holanda, fechando os espaços que Lavezzi tinha e
contando com a eficiência de seus zagueiros para cortar os cruzamentos.
Até que Demichelis foi ao ataque para dar um pontapé em Sneijder e,
como escapou de cartão, Martins Indi passou a fazer o mesmo com Messi,
aliviando para De Jong, recém-recuperado de lesão. Preocupado em
bater, o zagueiro holandês levou amarelo e deixou Higuaín livre na
grande área. Para sua sorte, nos acréscimos do primeiro tempo, Pérez não
conseguiu cruzar para o centroavante, mas Van Gaal abriu mão de seu
defensor, um sério risco de expulsão, e deu mais opções ofensivas à
equipe. O time
laranja voltou do intervalo com Janmaat, com gás para marcar e atacar
mais. Kuyt passou a jogar na ala esquerda e Blind virou zagueiro. O
esquema não mudou, mas as novas peças permitiam à Holanda marcar mais na
frente e dificultar o toque de bola argentino, que já não encontrava
mais Lavezzi à disposição para criar problemas pela direita. Robben
não conseguiu arrancar nem Van Persie aparecia, mas os europeus tinham o
domínio do jogo por verem que a Argentina só tentava atacar forçando
jogadas individuais, e até Messi era desarmado com tranquilidade. Van
Gaal, então, priorizou o toque de bola, trocando o cansado De Jong por
Clasie. O time laranja que só gosta de contra-ataque tabelava como
queria na intermediária rival. Sem, contudo, levar real perigo. Em
meio à falta de eficiência, Messi e Sneijder passaram vergonha com suas
camisas 10 às costas, isolando a bola em cobranças de falta. Já os
camisas 9 não sabiam se posicionar, já que Van Persie e Higuaín só
assustaram quando estavam impedidos. A teia armada pelos dois times
amarrava o jogo. Aos 36, Sabella, que chegou a discutir com
Higuaín durante o segundo tempo, cansou do centroavante para apostar na
movimentação de Aguero. O atacante, no entanto, só apareceu ao
atrapalhar a reposição de bola de Cillessen após boa defesa em chute de
Rojo. Palacio, que substituiu Pérez aos 35, também quase não foi
percebido. A Argentina não conseguia assustar. Até que, aos 45
minutos do segundo tempo, Robben teve a sua primeira chance real. A
Holanda tocou a bola até Sneijder tabelar com o atacante e ajeitar de
calcanhar para o camisa 11 na área, demorar a finalizar e, já de frente
para Romero, parar em impressionante recuperação de Mascherano, autor de
carrinho que salvou seu país na pequena área. No início da
prorrogação, Argentina apertou a saída de bola holandesa, mas Cillessen
mal precisava trabalhar porque mesmo Messi não acertava quase nada sob
frio e chuva em Itaquera. Do outro lado, Van Gaal abriu mão da
especialidade do goleiro reserva Tim Krul para defender pênaltis e
mostrou que queria definir o jogo com a bola rolando sacando o
imperceptível Van Persie para apostar em Huntelaar. Quem realmente
entrou no jogo, contudo, foi Robben. Sneijder o procurava a todo
momento e o astro resolveu aparecer bem, como quando driblou três rivais
em curto espaço até ser desarmado por Mascherano ou em finalização de
fora da área nas mãos de Romero. O cansaço argentino parecia ajudá-lo. Sabella,
por sua vez, gastou sua última substituição pensando em preencher o
meio-campo com alguém mais descansado, trocando o esgotado Lavezzi por
Maxi Rodriguez. O meia, contudo, virou um dos sete ou oito jogadores que
ficavam atrás da linha da bola para ver o toque de bola holandês. Os
sul-americanos não apostavam em nada além de contra-ataques, todos
ineficientes. Mas, em meio ao cansaço dos dois times, Palacio
quase levou Sabella ao infarto. Aos nove da última etapa do jogo, o
atacante, sozinho na grande área, cabeceou a bola nas mãos de Cillessen.
Minutos depois, Messi acordou e deixou Maxi Rodriguez em condições de
evitar os pênaltis, mas foi mais um a facilitar o trabalho do goleiro
holandês. Nas cobranças, contudo, nenhum argentino ajudou o
arqueiro europeu, que viu Messi, Garay, Aguero e Maxi Rodriguez
balançarem as suas redes. Do outro lado, Romero parou Vlaar e Sneijder
para garantir um sul-americano em decisão de Copa pela primeira vez
desde 2002, quando o Brasil foi pentacampeão.
Adolfo Perez Esquivel disse que foi preso na primeira vez por militares em São Paulo em 1975, e na segunda vez em 1981
Arquivo pessoal/BBC Brasil
Ativista argentino esteve duas vezes preso no Brasil
O ativista de direitos humanos argentino Adolfo Perez Esquivel, de 82 anos, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1980, disse que foi "salvo duas vezes" por dom Paulo Evaristo Arns durante a ditadura no Brasil.
LEIA TAMBÉM: Fantasmas da ditadura ainda assombram o Brasil 50 anos após golpe militar Em entrevista à BBC Brasil em Buenos Aires, Esquivel disse que foi preso na primeira vez por militares em São Paulo em 1975, e na segunda vez em 1981. "Em 1975, foi muito difícil, porque eles colocaram um capuz na minha cabeça, uma gravação de gritos de pessoas sendo torturadas e levantavam um pouco o capuz somente para que eu pudesse identificar latino-americanos que eles perseguiam." Segundo ele, os militares queriam que ele "denunciasse" outros opositores ao regime no Brasil. "Eu disse que não conhecia ninguém”. Perez Esquivel afirmou ainda que três militares o interrogaram e não pode ver seus rostos. "Eram três interrogadores – um muito duro que dizia que iam me matar, que iam me torturar, outro que dizia que era conveniente que eu falasse e outro que queria se fazer de meu amigo, que estava ali para me ajudar", afirmou. No dia seguinte à prisão, o então arcebispo de São Paulo dom Paulo Evaristo Arns, conseguiu tirá-lo do local. "O cardeal me salvou duas vezes", disse o Prêmio Nobel durante a entrevista realizada na sede da ONG Serviço Paz e Justiça (Serjap) que dirige na Argentina. Segundo Esquivel, Arns reuniu outros religiosos e defensores de direitos humanos e organizou uma manifestação na porta da delegacia, que não recordou onde ficava, assim que soube da sua detenção. "Dom Paulo, certamente, falou com autoridades do Brasil para que eu fosse liberado. Mas não sei as gestões exatas que ele fez. O que sei é que ele não perdeu tempo em organizar uma manifestação na porta da delegacia para me salvar. E me salvou", disse. Medo Quando perguntado se tinha sentido medo de morrer na prisão durante a ditadura no Brasil, ele respondeu: "Daquela vez sim, foi mesmo preocupante". Ele contou que foi preso no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, e que estava com o advogado Mario Carvalho de Jesus, da Frente Nacional do Trabalho, e com a austríaca Hildegard Goss-Mayr, atual presidente honorária do Movimento Internacional de Reconciliação e integrante do Serpaj, que mora em Viena. "Nós três tínhamos viajado para um encontro com dom Paulo, mas fomos presos antes. Depois sim, nos encontramos com ele, porque ele atuou para me liberar", afirmou. O Prêmio Nobel recordou que sua prisão ocorreu no mesmo ano em que dom Paulo condenou a prisão e morte do jornalista Wladimir Herzog, assassinado no DOI-CODI, em São Paulo. "Dom Paulo convocou os religiosos contra a morte de Herzog que depois se soube foi mesmo assassinado", disse. Esquivel foi preso em outras ocasiões no Equador e na Argentina, onde foi torturado, como recordou. "Eu sou um sobrevivente dessas tragédias que vivemos na América Latina", disse. Anos mais tarde, em 1981, ele foi preso após criticar a anistia no Brasil. "Eu falei na OAB do Rio de Janeiro e foram atrás de mim no aeroporto. Mas eu tinha mudado de voo para viajar com Leonardo Boff para São Paulo. Ainda assim me pegaram", disse. Em São Paulo, quando chegava para dar uma palestra no colégio Sion, contou, onde realizaria um discurso com outros religiosos, incluindo dom Paulo Evaristo Arns, ele foi preso novamente. "Me levaram para uma delegacia e dom Paulo reuniu várias pessoas em um protesto no local e graças a isso e a ele, novamente, me liberaram", disse. Visita na prisão Segundo Perez Esquivel, o então senador (Jarbas) Passarinho teria lhe visitado na prisão. "O senador Passarinho justificou porque a anistia era importante, dizendo que sem ela não seria possível construir uma democracia. E que as Forças Armadas tinham colocado ordem no caos. Discurso que achei típico de ditadores", afirmou. E continuou: "Por esse motivo, dom Paulo costumava dizer que a democracia no Brasil só deixava passar um passarinho." Na OAB, recordou, ele afirmou que "as Forças Armadas não podiam ser anistiadas pelos crimes da ditadura". Na ocasião, ele já era Prêmio Nobel da Paz, que recebeu em 1980 pela defesa dos direitos humanos na América Latina. "A minha segunda prisão no Brasil foi quase uma questão diplomática", disse. Ele considera "importante" a realização de comissões da verdade no Brasil e da integração entre os países da região na busca de informações sobre o que aconteceu no período ditatorial. Em janeiro, Brasil, Argentina e Uruguai assinaram um acordo, no âmbito da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), para compartilhar documentos sobre as ditaduras nos três países. Esquivel ressalvou, porém, que acha que as operações conjuntas contra opositores não se limitaram aos países do Cone Sul, onde a chamada ‘operação Condor’ significou ações conjuntas dos governos na busca dos que se opunham ao regime militar e foram entregues aos outros países ou mesmo torturados nos países vizinhos. "Eu não chamo de ‘operação Condor’, eu digo que era a internacional do terror." Segundo ele, essa operação era "um monstro com muitos tentáculos". Ele citou alguns casos de autoridades latino-americanas mortas em outros países, como o ex-ministro da Defesa do governo do presidente socialista Salvador Allende, do Chile, Orlando Letelier, morto com uma bomba colocada em seu carro em Washington por agentes da polícia do regime de Augusto Pinochet. Ele afirmou ainda que a prisão, em 1976, com outros dezessete bispos latino-americanos e quatro americanos, no Equador, também "fazia parte da operação Condor". "De jeito nenhum a operação se limitou ao Cone Sul", reiterou. Verdade Na sua opinião, a Argentina está à frente do Brasil na investigação sobre os crimes da ditadura porque no governo do ex-presidente Raul Alfonsín, na redemocratização, a partir de 1983, os militares foram levados a julgamento. Anos mais tarde, os governos de Alfonsín e de seu sucessor Carlos Menem, lançaram as leis de Obediência Devida e Ponto Final, definidas como anistia. As leis foram derrubadas no governo do ex-presidente Nestor Kirchner, que governou entre 2003 e 2007 e morreu em 2010. "Talvez, a Argentina, do ponto de vista jurídico, tenha sido o país que mais avançou (nesta questão)." Perez Esquivel defendeu que os crimes da ditadura sejam investigados para que "todas as gerações saibam o que aconteceu". "Algo importante que o brasileiro deve ter é a busca da memória. Não é apenas buscar o passado. A memória deve iluminar o presente e ser base para as gerações futuras", disse. Ele afirmou que a anistia "significa impunidade" e "impede a construção da democracia". "No Brasil lamentavelmente até agora impera a impunidade, com essa lei de anistia", disse. Ele cpomplementa que "para o direito internacional os crimes de lesa-humanidade jamais prescrevem". "Esperamos que eles não aconteçam nunca mais. Mas também por isso é importante saber o que aconteceu no Brasil e em toda a região, em todo o mundo", disse.
A verdade sobre a Ditadura militar: A outra face... facebook
João Ives Doti
Reproduzo as palavras de Osvaldo Bertolino, jornalista e escritor! "O lixo fascista chamado IG Entre os lixos que a mídia anda espalhando para caluniar a resistência democrática aos latrocidas da ditadura militar, me deparei com uma matéria do IG sobre a Guerrilha do Araguaia que possivelmente bateu todos os recordes de nauseabundisse. Um nojo! Escrevi uma resposta, em linguagem puramente jornalística, com dados desmentindo a matéria. E que fizeram os canalhas do IG? Retiraram o comentário e me suspenderam por 30 dias. Em compensação, uma fila de comentários fascistas ficou lá. Denunciei-os, todos! A ver como será o procedimento dos fascistas. Leia a matéria aqui... facebook
RIO DE JANEIRO, 27 Fev (Reuters) - A economia brasileira surpreendeu no final do ano passado ao crescer mais do que o esperado, evitando que o país entrasse em recessão técnica, mas os resultados ainda não são suficientes para uma mudança geral das expectativas de um 2014 mais fraco. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,7 por cento no quarto trimestre de 2013 na comparação com os três meses anteriores, com destaque para o setor de serviços e o consumo do governo e das famílias, que apresentaram expansão. Em relação ao quarto trimestre de 2012, o avanço foi de 1,9 por cento, fechando 2013 com expansão de 2,3 por cento, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. Em 2012 a economia havia crescido 1,0 por cento. A mediana de previsões de analistas consultados pela Reuters apontava para crescimento de 0,3 por cento do PIB sobre o terceiro trimestre de 2013, de 1,6 por cento sobre o quarto trimestre de 2012 e de 2,2 por cento em 2013 como um todo. O país poderia ter entrado em recessão técnica --quando há retração por dois trimestres seguidos-- no final do ano passado porque no terceiro trimestre de 2013 o PIB havia encolhido 0,5 por cento sobre o período imediatamente anterior. A última vez que o país viveu essa situação foi no final de 2008 e início de 2009, auge da crise financeira internacional. O resultado do trimestre passado sobre os três meses anteriores veio com a expansão do setor de serviços (0,7 por cento) e do consumo das famílias (0,7 por cento) e do governo (0,8 por cento). A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) --medida de investimentos-- também mostrou resultado positivo, de 0,3 por cento. Nesta comparação, no entanto, a agropecuária ficou estagnada e a indústria encolheu 0,2 por cento, um sinal de fraqueza que chamou a atenção dos especialistas. "A queda da indústria deixa evidente que o que está mantendo o país com uma taxa de crescimento apenas moderada são os problemas no campo da oferta e isso deve continuar neste ano", disse o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, que vê expansão de 1,8 por cento do PIB em 2014. O fim de 2013 havia surpreendido pelos fracos resultados na indústria e no varejo, que também jogaram água fria sobre as expectativas de recuperação em 2014, um ano eleitoral e que pode dificultar ainda mais a vida da presidente Dilma Rousseff, que vai tentar a reeleição. A confiança do consumidor também iniciou o ano mostrando fraqueza. Em fevereiro, atingiu seu menor nível desde maio de 2009. "O mercado esperava uma queda no investimento, o que não aconteceu. É possível que o aumento do investimento tenha a ver com maiores estoques. Assim, devemos ter um número mais fraco do PIB no primeiro trimestre", afirmou o economista da gestora de recursos Saga Capital Gustavo Mendonça. "O ano começou com muita incerteza." ANO FECHADO Em 2013 como um todo, a FBCF --medida de investimentos-- foi a boa notícia, com crescimento de 6,3 por cento sobre o ano anterior, que passou a ter participação positivo no resultado anual, de 1,3 ponto percentual. Também se destacou o setor agropecuário, com alta de 7 por cento no período, mas que tem um peso menor no PIB do que Indústria e Serviços. O consumo do governo teve expansão de 1,9 por cento no ano passado, enquanto que o das famílias, de 2,3 por cento. Neste caso, apesar de ter respondido por 1,4 ponto percentual do PIB de 2013, foi o pior resultado desde 2003, influenciado pelos juros mais elevados e pelo câmbio. Para 2014, os especialistas, segundo última pesquisa Focus do Banco Central, apontam que o PIB deve crescer ainda menos, apenas 1,67 por cento, expectativas que vêm se deteriorando a cada dia. No final do ano passado, elas indicavam crescimento de 2 por cento. O IBGE informou ainda que as exportações de bens e serviços cresceram 2,5 por cento no ano passado sobre 2012, enquanto as importações de bens e serviços tiveram expansão de 8,4 por cento no período. (Reportagem adicional de Felipe Pontes, no Rio de Janeiro, Camila Moreira, Bruno Federowski e Asher Levine, em São Paulo)
QUARTA-FEIRA, 26 DE FEVEREIRO DE 2014
Humberto Costa diz que ideias do PSDB levaram o Brasil para o buraco
Líder do PT no Senado, o pernambucano Humberto Costa (PT) tomou para si a defesa dos governos de Lula e Dilma das críticas disferidas nessa terça-feira (25) pelo presidenciável mineiro Aécio Neves (PSDB). Na tribuna da Casa, o senador petista afirmou que a oposição não é capaz de realizar as mudanças que o Brasil precisa e atacou o PSDB, afirmando que as ideias da legenda levaram o Brasil para o buraco durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
“Quando vejo as propostas dos tucanos e do seu candidato a presidente da República, vejo tão somente a repetição dos mesmos princípios, das mesmas ideias que levaram o Brasil para o buraco”, afirmou Humberto. No Senado, uma solenidade marcava os 20 anos do Plano Real e exaltava a figura de FHC. Em coro, os tucanos criticaram a condução da economia pelo PT.
“Quem consegue construir a dignidade mínima obviamente cria outras necessidades que precisam ser atendidas, mas nós não vamos atender a essas necessidades com governos que não têm sensibilidade social, com governos que aprofundam desigualdades, com governos que acham que o papel do Estado é tão somente o de fazer com que as forças do mercado possam reger as leis da nossa economia”, disparou o petista.
Pernambuco
Com o discurso do legado petista em Pernambuco na ponta da língua, Humberto ainda questionou a falta de prioridade dada pelo PSDB ao Estado na época de FHC. ”O que fizeram os governos tucanos para atender e o povo do meu Estado? Não se sabe. Mas os governos Lula e Dilma fizeram Pernambuco crescer. Nós levamos uma refinaria, nós levamos um Polo Petroquímico, nós levamos dois estaleiros, nós levamos a Fiat”, listou.